Propósito da Igreja:

Propósito da Igreja: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." Atos 2:42

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Pecado contra o Espírito

Qual é o pecado cometido contra o Espírito Santo?

 

Dentre os muitos assuntos controversos no seio cristão, certamente o "pecado contra o Espírito Santo" é um dos que mais agita os ânimos e causa discussões, muitas vezes intermináveis. Inúmeras pessoas têm tecido os mais diversos comentários sobre o que seria o pecado imperdoável, como, por exemplo, se vê em alguns exemplos retirados da internet:

 

- suicídio; 

- negar a trindade; 

- todo e qualquer pecado pelo qual o pecador não se arrepende;

- presunção de salvação;

- incorrer no mesmo erro muitas vezes;

- ateísmo;

- não acreditar na misericórdia de Deus.

 

Como se pode notar, toda sorte de obstinações e rebeldias são colocadas como sendo o pecado imperdoável. Entretanto, como veremos a seguir, o contexto em que os versículos se encontra é muito claro em demonstrar qual é este pecado, de maneira que podemos, seguramente, ter o devido conhecimento por meio da leitura bíblica, não havendo necessidade alguma de ser grande erudito ou conhecedor supremo de certas minúcias bíblicas.

 

Boa parte dos erros de interpretação decorrem do fato dos leitores não atentarem para o contexto imediato do texto, quer dizer, se o texto está falando de árvores frutíferas e as relacionando com a saúde que proporcionam, a conclusão não pode ser contrária ao contexto, ou seja, ninguém pode o ler e concluir, a título de ilustração, que a saúde advém da maldade do homem - isto seria completamente descabido, pois em momento algum o texto se refere a isso.

 

Tendo o ponto acima como pressuposto, precisamos relembrar qual o contexto do versículo. 

 

Ora, é muito cristalino que nosso Mestre está efetuando milagres e o povo questionando, "Não é este o Filho de Davi?" (Mt 12.23). Mas, enquanto estes se maravilhavam, os fariseus assim diziam: "Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios" (Mt 12.24). Cristo, então, lhes demonstra claramente a estupidez do pensamento, afirmando logicamente que, "Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá." (Mt 12.25). Isto é, o Filho lhes mostrava que não era sequer crível crerem que Ele estava expulsando demônios pelo poder do príncipe deles, afinal, "E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?" (Mt 12.26).

 

O que Cristo estava dizendo é que se Ele expulsava os demônios com o poder dos demônios, estaria havendo uma completa contradição, porque "como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa?" (Mt 12.29). Noutras palavras, para que o poder do Senhor libertasse o cativo, era necessário, primeiro, expulsar o espírito mal que habitava na pessoa, a fim dela ser livre e seguir a Deus. E para não sobejar dúvidas quanto à oposição de Cristo com relação aos fariseus, assim disse: "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha" (Mt 12.30).

 

Após este desenrolar, então, é que Cristo afirma que existe um certo pecado que não será perdoado: "Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro" (Mt 12.31-32).

 

O texto, portanto, se torna fácil de entender, pois o pecado a que o Cristo se refere tem ligação com o que os fariseus estavam falando - e o que estavam dizendo? "Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios" (Mt 12.24).

 

Desta forma, podemos, seguramente, concluir que o pecado contra o Espírito Santo, consiste em se atribuir uma obra nitidamente divina e vinda de Deus, ao Diabo. Este pecado é cometido quando alguém é iluminado e, vendo a obra nítida do Senhor, se recusa a prestar honra ao Criador, como lemos em Hebreus: Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério" (Hb 6.4-6). Tais pessoas cometem este pecado porque, nas palavras do apóstolo, "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu" (Rm 1.21). Estes que cometem tamanho horror, sabem que determinada obra vem do Senhor, mas porque interiormente são profanos e blasfemos, atribuem as bem-aventuranças ao Diabo.

Em casos práticos, é dizer que a mudança de vida ocorrida em determinada pessoa (para o bem), em verdade vem do Diabo ou que as bênçãos recebidas por outrem, na verdade foram operadas pelo inimigo. É ter ciência do poder sobrenatural de Deus, mas se recusar a dobrar-se diante do Eterno e Soberano.

 

Ademais, o pecado contra o Espírito Santo não é perdoado por se assemelhar à chegada ao nível máximo da perversidade contra Deus, como vemos: "E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia" (Gn 15.16 - grifado agora) - quando tal medida fosse completa, a descendência de Abraão mataria os amorreus e habitaria na terra prometida. O mesmo entendimento se evidencia na pena de morte aos crimes bárbaros (assassinato, estupro, premeditação, tocaia...) e aos de blasfêmia no caso de um Estado cristão, pois diante do Senhor nada pode ser mais grave do que atribuir ao maligno a autoria das benesses divinas.

 

Por fim, para que nenhum crente tenha dúvidas, a Escritura nos afirma que este pecado não pode ser cometido por um verdadeiro cristão, afinal, assim temos a promessa: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6).

 

Assim sendo, querido leitor, não vague por bosques obscuros e de falha interpretação bíblica, pois uma vez que toda a Escritura é inspirada e útil para o ensino (2Tm 3.16-17), ela mesma deve fornecer uma resposta objetiva para todos os fiéis em Deus, de maneira que todos são instruídos na clara e perfeita Palavra.

 

Felipe c. Machado (felipe.machado.123@gmail.com)

Santa Ceia


SANTA CEIA

O que é comer a santa ceia indignamente? Em que situação eu não devo tomar a santa ceia?

Muitos acham que comer a santa ceia indignamente é ter um pecado não confessado ali no momento ou coisa do tipo. Vamos então compreender melhor essa questão para não cometermos equívocos.

Quando eu tomo a santa ceia indignamente?

O texto que contém essa questão é esse: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.” (1Co 11. 27). É um texto que apresenta uma advertência muito séria: Participar da ceia “indignamente” é se tornar culpado perante Deus de um grave pecado.

Mas o que Paulo quis dizer nesse texto com a palavra “indignamente”?

Para compreendermos corretamente a mensagem do texto, precisamos avaliar o contexto (o que vem antes e o que vem depois desse texto). Observe que o versículo mencionado está dentro de uma sessão que vai dos versículos 17 ao 34. E é dentro desta sessão que encontramos a resposta que estamos buscando. É importante observar que a Palavra de Paulo é dirigida a igreja (aos crentes). É evidente que quem é descrente não deve participar da santa ceia, pois não teria significado algum.

Nos versículos 20 a 22 vemos claramente o que o apóstolo quis dizer com a expressão “indignamente” (utilizarei a Nova Versão Internacional – NVI para facilitar a compreensão do texto):

“Quando vocês se reúnem, não é para comer a ceia do Senhor, porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga. Será que vocês não têm casa onde comer e beber? Ou desprezam a igreja de Deus e humilham os que nada têm? Que lhes direi? Eu os elogiarei por isso? Certamente que não!” (1Co 11. 20-22)

Vemos aqui o que Paulo quis dizer com comer a ceia “indignamente”:

Eles não estavam observando o modo correto de fazer a ceia, por isso, se afastaram de seu real significado. Estavam fazendo do jeito errado. “Quando vocês se reúnem, não é para comer a ceia do Senhor”. Vemos que a ceia perdeu seu significado, ficando vazia. Mas o que eles estavam fazendo errado?

Eles estavam tentando celebrar a ceia de forma dividida e não em unidade (como corpo de Cristo, igreja) como devia ser. Os ricos desprezavam aqueles que nada tinham ou eram pobres, fazendo sua própria ceia, enquanto os pobres ficavam chupando dedos desprezados num canto e também fazendo a ceia do seu jeito. “porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga.”. Paulo condena essa desunião. Uma ceia dividida dentro da igreja não era a santa ceia que Cristo instituiu e, por isso, era pecado.

Os pobres eram envergonhados como se não fizessem parte do corpo de Cristo por serem pobres. “Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?”.

Dos versos 23 ao 26 Paulo relembra a eles o real significado da Santa Ceia.

Seguindo com sua orientação, Paulo busca uma correção para a questão, orientando uma mudança de atitude baseada na reflexão: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.” (1Co 11. 28-29). Esse “examinar” está ligado à questão anterior, ou seja, examinar se da forma que está participando não está pecando contra seus irmãos na fé e consequentemente contra Deus. Paulo nos chama a examinar a seriedade do ato de participar da santa ceia como indivíduos que fazem parte de um corpo.

Paulo finaliza reiterando o caráter de união da ceia. União de todos os servos de Cristo. Participar da ceia com qualquer forma de desunião é comê-la indignamente. “Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros.” (1Co 11. 33).

Concluo essa questão dizendo que nem mesmo um pecado ocasional deve ser um empecilho para que você deixe de participar da ceia. Confesse o seu pecado e participe da ceia. A ceia é momento de [união] do povo de Deus e de relembrar o sacrifício do nosso Salvador, bem como, de avaliação interior e fortalecimento espiritual de cada um de nós e da igreja como um todo. Por isso, devemos refletir, tomar decisões para reparar possíveis erros e participar dela, fortalecendo-nos como indivíduos e como igreja (isso é comer a ceia dignamente).

(Esboçando ideias)