Propósito da Igreja:

Propósito da Igreja: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." Atos 2:42

domingo, 14 de agosto de 2016

Pregação expositiva: 1ª Marca


Pregação Expositiva: Diferenças


Pregação Expositiva - Importância


 

Devo Fazer Apelo?


O apelo é uma prática bastante conhecida no meio evangélico contemporâneo. Consiste em uma chamada para que pessoas tomem uma decisão de aceitarem a Cristo e se tornarem salvas e parte da família de Deus. Este tem sido tratado como uma resposta necessária ao processo de conversão. Isto é, se há alguém que não responde por esse meio, pode-se deduzir que nunca “conheceu” a Cristo. Frequentemente é, assim, estabelecida uma ligação entre a resposta ao apelo e a salvação.

 
O fato é que, não raras as vezes, os que respondem a esse apelo não têm entendido nada do Evangelho. Isso porque as respostas, nesses casos, não passam de remorso misturado com emocionalismo. Pessoas tendem a atender ao apelo devido às circunstâncias em que suas vidas se encontram. Se estão doentes, respondem ao apelo. Desempregadas, respondem também. Precisam de um milagre… E assim vai.

 Mas será que a Palavra de Deus nos ensina a praticar tal feito?

 A Bíblia nos mostra uma série de princípios, desde como o pregador deve trazer o sermão, até como deve aplicá-lo. Essa conjunto forma a Doutrina do Chamado ao Evangelho. As Escrituras, de fato, ensinam que devemos convidar pecadores a se arrependerem (Mt 3.2, Mc 1.15, At 3.19). O pregador deve fazê-lo. O seu trabalho não será completo até que ele o faça, mas que faça de tal forma que o mérito da salvação seja somente de Cristo e não do pecador que se arrependeu (Ef 2.8,9).

 A forma do apelo praticado hoje não existia na Igreja primitiva, e nem mesmo até por volta do séc. XVIII. A Igreja simplesmente praticava o aconselhamento individual e a catequese, de maneira que, através da membresia, eram conhecidos os convertidos. Richard Baxter era um exemplo dessa prática. Ele costumava visitar 15 casas por dia, além de pregar constantemente na igreja na qual era pastor.

 O sistema de apelo, ainda que praticado de forma bem intencionada, não está em conformidade com o que as Escrituras ensinam a respeito do chamado e da conversão.  Não tem fundamento nelas. Simplesmente exalta a figura do homem e não a de Deus. Existem diversas razões pela qual o apelo praticado na atualidade não é bíblico. Deixe-me tratar alguns.

 Primeiro, é que o Espirito Santo não precisa da ajuda do pregador para produzir seus convertidos. É Ele quem convence o homem de seus pecados (Jo 8.16). O que vemos hoje é uma série de atitudes manipulativas, tomadas pelo pregador ou pela a Igreja para mexer com o estado emocional de quem ouve, a fim de que tome uma “decisão” e vá até Cristo, colocando, assim, o poder da salvação sobre a pessoa. Ninguém pode ser salvo por conta própria. O homem é salvo pela graça de Deus e Seu poder. “Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se? E Jesus, olhando para ele, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19.25,26).

 A segunda razão é que, atender ao apelo, não é a forma que evidenciará a salvação. Judas atendeu ao chamado de Jesus, caminhou com Ele, e nem por isso foi salvo. Assim também como Demas (2 Tm 4.10). O ponto é que a resposta ao apelo causa uma impressão de um momento decisivo de migração do estado de condenação para o estado de salvação, mas essa resposta não garante a salvação. O pecador que respondeu ao apelo passa a acreditar que agora merece morar no céu porque assim decidiu. Podemos chamar isso de salvação pela decisão, que é heresia.

 
Terceiro, é que o pecador que ouve que para ele ser salvo depende de sua decisão, passa a acreditar que foi salvo pelos seus méritos. Quando não é a verdade. Se somos salvos, é porque Cristo pagou o preço. A salvação é mérito somente de Cristo e toda a glória deve ser dada somente a Ele.  E ainda que um dia alguém tenha decidido ir até Ele, foi senão porque Deus o levou (Jo 6.37). Atribuir mérito da salvação à decisão tomada pelo pecador é um grave erro, pois as Escrituras deixam claro que não somos salvos por nossas obras. Além disso, o pecador que entende que foi salvo por sua decisão logo se gloriará e se encherá de orgulho de si. A Palavra deixa claro que ninguém tem do que se orgulhar: “Não vem das obras [salvação], para que ninguém se glorie” (Ef 2:9).

 
A quarta e última razão é que a salvação pertence somente a Deus. Não existe nada que o homem possa fazer para conquistá-la. Até mesmo a maior obra do mundo não será capaz de comprar tal feito. “Aqueles que confiam na sua fazenda e se gloriam na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele” (Sl 49.6). Além disso, como já ficou claro, o homem não pode atribuir a ele um dom que pertence a Deus: “Do Senhor vem a salvação” (Jonas 2:9).

 Portanto, qualquer método de apelo que apresente tais características se torna repudiável. Nosso dever é chamar pecadores a se arrependerem e colocarem sua confiança somente no sacrifício de Cristo. Quando convidarmos pecadores a tal feito, verdadeiramente o Espirito Santo irá agir.

 

 
Lucas Balbino (site: Jovem reformado)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

9 Marcas de uma Igreja "Doente"


9 Marcas de uma Igreja Doente

 

Graças ao Mark Dever, muitos de nós passamos a conhecer bem as Nove Marcas de uma Igreja Saudável. Embora elas nunca tenham tido a pretensão de ser a última palavra em tudo o que uma igreja deva ser ou fazer, as nove marcas têm sido úteis para lembrar os cristãos (e pastores em especial) de elementos necessários que sempre esquecemos em uma era concentrada no estilo.

Em certo sentido, as nove marcas de uma igreja doente poderiam ser simplesmente o oposto de tudo aquilo que compõe uma igreja saudável, de maneira que uma igreja doente ignora a membresia, a disciplina, a pregação expositiva e todo o resto. Mas os sinais de doença na igreja nem sempre são tão óbvios. É possível que a sua igreja ensine e entenda todas as coisas certas e, ainda assim, seja um lugar terrivelmente doente. Sem dúvida há dezenas de indicadores que uma igreja se tornou disfuncional e enferma, mas limitemo-nos à nove.

Aqui vão nove marcas de que a sua igreja — mesmo uma que creia na Bíblia, pregue o evangelho e abrace uma boa eclesiologia — possa estar doente.

1) Quanto mais periférico o tópico do sermão, mais entusiasmadas as pessoas ficam. Uma das coisas que sempre adorei na nossa igreja é que os sermões que as pessoas mais amam são aqueles que lidam com os temas mais centrais da Bíblia. Elas amam ouvir a respeito do pecado e da salvação, sobre a glória de Deus, sobre a providência, sobre Cristo e a cruz. Não é que eles nunca ouçam (ou tenham aversão a) sermões sobre o fim dos tempos ou questões sociais ou mordomia financeira ou casamento ou paternidade e maternidade, mas elas parecem mais apaixonadas pelas mensagens que se concentram mais em culpa, graça e gratidão. Eu fico preocupado quando uma congregação se cansa de ouvir sobre a Trindade, a expiação, o novo nascimento ou a ressurreição e quer ouvir outra longa série sobre como lidar com o estresse ou as 70 semanas em Daniel.

2) Os funcionários da igreja não tem prazer em trabalhar. Todo trabalho tem seus altos e baixos. Todo ofício terá tensão de vez em quando. Mas a liderança deve observar quando os funcionários parecem mal-humorados, infelizes e têm que se arrastar para a igreja a cada dia. Os funcionários da sua igreja desfrutam da presença uns dos outros? Eles conversam entre si como amigos no salão da comunhão? Você os vê rindo juntos? Se não, pode haver estresse em andamento, ou conflito, ou algo pior.

3) O pastor e a sua esposa não se dão bem. Não estou falando das desavenças corriqueiras e dos períodos difíceis pelos quais todo casal passa. Estou falando de um casamento que esfriou e perdeu o amor, um relacionamento superficial e carente de paixão. Toda igreja deveria ter algum mecanismo preparado para perguntar ao pastor e à sua esposa como vai (ou não) o casamento. Igrejas podem sobreviver a muitos conflitos, mas raramente serão lugares felizes e saudáveis se o pastor e a sua esposa estão secreta ou abertamente infelizes e doentes.

4) Quase ninguém sabe para onde vai o dinheiro. Igrejas lidam com suas finanças de diferentes maneiras. Conforme as igrejas crescem, pode ser mais difícil (ou até insensato) que todos tenham voz na alocação de cada centavo. Ainda assim, quando se trata de finanças, exagerar para o lado da transparência raramente é uma má ideia. No mínimo, deve haver mais do que um pequeno grupo de pessoas que saiba (e tenha voz sobre) para onde vai o dinheiro. Não faça do salário do pastor uma questão de segurança nacional.

5) A equipe de liderança nunca muda ou sempre muda. Ambas as situações são sinais alarmantes. Por um lado, a igreja fica com um olhar muito limitado para si mesma quando nunca há sangue novo entre os líderes. Se os seus presbíteros, diáconos, líderes de comissão, líderes de pequenos grupos, professores de EBD, coordenadores e membros do grupo de louvor são os mesmos agora desde quando José Sarney foi Presidente da República, você tem um problema. Talvez os antigos líderes gostem do poder, talvez ninguém mais esteja sendo treinado, talvez sua igreja não tenha recebido ninguém novo em vinte anos. Todos esses são grandes problemas. Por outro lado, se os presbíteros nunca estão interessados em servir mais um termo e os funcionários nunca ficam por mais do que dois anos, a cultura da sua igreja pode ser muito confinada, muito cheia de conflito ou muito impiedosa para com erros honestos.

6) Ninguém jamais é levantado da igreja para o ministério pastoral ou é enviado da igreja ao serviço missionário. Boa pregação inspira homens jovens a pregar. Clareza sobre o evangelho empolga homens e mulheres a compartilhar o evangelho com aqueles que não o ouviram. Igrejas menores podem não enviar obreiros todo ano, mas a congregação que quase nunca produz pastores e missionários quase nunca é uma igreja saudável.

7) Existe uma lentidão exacerbada na tomada de decisões. Isso pode ser culpa da congregação. Alguns membros insistem em aprovar cada decisão, desde contratação de funcionários, a duração do culto e a cor do carpete. Se todos têm que votar em cada decisão, a sua igreja nunca será maior que o número de pessoas informadas que podem votar em cada decisão (que é um número bem pequeno). Essa lentidão pode ser culpa do pastor. Em algumas igrejas nada acontece sem a aprovação pessoal do pastor e sua direta supervisão — uma receita certeira para guerras territoriais, crescimento atrofiado, e afastamento de líderes talentosos.

8) A pregação se torna errática. Isso pode ter muitas formas. Talvez o pastor não compartilhe mais o púlpito com outros membros e o ocasional convidado de fora. Talvez o oposto esteja acontecendo, e o pastor pareça estar chamando substitutos mais frequentemente do que o contrário. Talvez a pregação tenha se tornado mais virulenta, ou sempre martele no mesmo tema, ou mostre sinais de pouca preparação. Talvez você tenha notado que o pregador está contando mais com vídeos ou esboços que não são de sua autoria, ou constantemente reutiliza material de poucos anos atrás. Ninguém quer que a pregação seja enfadonha. Alguma variação deve ser esperada e bem vinda. Mas preste atenção se o pregador parece doutrinariamente instável, irritável ou exausto.

9) Há problemas que todos conhecem, mas ninguém conversa abertamente a respeito. Igrejas doentes muitas vezes têm uma grande regra tácita: a pessoa que menciona os nossos problemas é que tem problema. Pode ser um pastor que não sabe pregar, um organista que nunca fica para ouvir o sermão, um presbítero que dizem que está em um relacionamento ilícito, um diretor de juventude que não tem jeito para falar com crianças, um funcionário que não se dá com ninguém, um líder que que lidera por ordens e intimidação. O melhor é que muitos problemas sejam tratados em secreto e discretamente, mas isso não é desculpa para fazer vista grossa para o que todos podem ver claramente. Falar sobre aquilo que todos conhecem é, muitas vezes, o primeiro passo para tirar do problema o seu poder incapacitante.